Esta semana que passou demonstra claramente o que chamo de cultura do opressor. A infeliz atitude do motorista de atropelar um grupo de ciclistas em Porto Alegre (RS) na última sexta-feira, é a típica atitude de quem se acha melhor que os outros e não consegue olhar além do fundo seu umbigo. Impedido de passar por uma rua devido a um grupo de ciclistas que faziam um passeio mensal pelas ruas daquela cidade, e que estavam pedindo exatamente mais humanização no trânsito, o condutor aloprado acelerou seu veículo sobre os ciclistas atropelando vários e seguindo seu caminho sem prestar socorro. Quando encontrado, seu advogado disse que ele estava tentando se livrar de um linchamento e que as imagens não mostram a agressão contra ele. Descobriu-se depois que o condutor pobre de espírito possui três processos por ameaça e agressão física, além de multas de trânsito por excesso de velocidade, transitar na calçada, na contramão, em marcha ré em distancia superior ao permitido e por conversão proibida. O Ministério Público (MP) do Estado, pediu sua prisão preventiva. Segundo o promotor, "Percebe-se claramente que ele atropelou vários ciclistas inocentes tão somente porque lhe truncavam o caminho. E a questão que mais chama atenção é que ele atingiu pessoas ", diz Eugênio Amorim. "É chegada a hora de mudar a cultura da impunidade, em especial nas questões de trânsito. O Ministério Público adotou uma atitude que era esperada pela sociedade", completou.
O trânsito é hoje o local onde se vê o retrato da sociedade e suas relações sem a mascara da identidade. As pessoas tomam atitudes encobertas pelo anonimato. A impunidade no trânsito demonstra como a cultura da opressão funciona. São vários os casos de pessoas que são responsáveis declarados por acidentes com morte no trânsito e são tratados diferentes. No anel rodoviario ou na av Raja Gabáglia, os dois em BH, são casos de condutores que transitavam na contra mão de direção na madrugada, e causaram a morte - "assasinatos" - e estão impunes. O resto dos condures veem a situação e começa um ciclo de impunidade. É uma infraçãozinha aqui e outra ali, uns desrespeitos acolá e no final todos é que saem perdendo. Vivemos uma situação em que se quisermos circular pela cidade dirigindo dentro do que manda lei não chegamos. A cultura da opressão é a regra, quem dirige sabe.E o que é feito para melhorar esta situação. Nada? No Brasil temos que cumprir 30h/a de legislação de trânsito (no qual se inclui a educação para o trânsito)para sermos habilitados a dirigir. 30h/a e ainda tem muita gente que burla o sitema simulando frequentar as aulas. Na legislação de trânsito lançada em 1997 no capítulo sobre a educação do trânsito, tal modalidade de educação tem que existir da pré escola ao fim do ensino médio. Na prática não há nada.
Até quando seremos estrangeiros em nosso país??
Apenas copiamos o que os outros fazem e responsabilizamos os outros pela falta de atitude. Será que em nossa casa é assim....